A Nova Reforma Protestante




Há algumas semanas, uma revista de grande circulação no país publicou reportagem de capa intitulada A nova reforma protestante. Entre várias opiniões, citações e ideias de diversas pessoas expressas no texto, foi mencionado algo que acontece na igreja que pastoreio: “Os sermões são chamados, apropriadamente, de palestras e são ministrados com recursos multimídia por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Veríssimo ou uma música de Chico Buarque de Holanda”. Não é preciso dizer que alguns manifestaram indignação com o que foi dito na matéria. Já imaginou, disseram, um pregador sentado em banquinho? E como pode alguém fazer uso de idéias “pagãs” para elucidar um conceito sagrado? Que irreverência!
O que algumas pessoas que pensam assim não percebem é que há tanto tempo se encontram enclausuradas num modelo cultural de ser igreja que não conseguem mais distinguir entre o que é princípio bíblico e o que é modelo cultural construído ao longo dos anos. Por exemplo, pregar a Palavra de Deus com fidelidade é um princípio bíblico. Mas pregá-la de terno e gravata, atrás de um enorme e elevado púlpito de madeira, é um modelo cultural. Quem pensa assim passou a entender que a missão da Igreja é a manutenção das formas religiosas – sejam elas provenientes da cultura europeia do século 16 ou do caldo pop evangélico desenvolvido nas últimas décadas. E assim, a missão de comunicar o Evangelho àqueles que se encontram inseridos no mundo real tornou-se secundária ou esquecida.
Segundo Atos 2, Pedro, diante de uma multidão de judeus, pregou o Evangelho fazendo uso da cultura desenvolvida nas sinagogas judaicas. Desde o início de sua mensagem, o apóstolo afirma que iria “esclarecer” algumas coisas. Ou seja, ele não se propõe a apresentar algo novo, mas lançar novas luzes sobre tudo o que já conheciam. Citou profetas do Antigo Testamento, sem qualquer preocupação em explicar que foram aqueles homens do passado – afinal, seus ouvintes os conheciam e respeitavam. Além disso, termina usando um conceito judeu, ao apresentar Jesus como “o Cristo”. E, assim, presenciou três mil conversões.
Alguns capítulos adiante, lemos que Paulo, em Atenas, pregou para uma plateia formada pela elite pensante da época. Falou do mesmo Evangelho, mas em um formato bem diferente. Diante do areópago grego, começou perguntando o que se encontra na mente e no coração das pessoas. Em seguida, fez uso de conceitos que pertenciam à história e à cultura helênica, para só então apresentar o “Deus desconhecido”. O impacto da palavra de Paulo é impressionante! Alguns resistem fortemente, mas outros se rendem ao Evangelho.
O que aconteceria se Pedro fizesse sua famosa pregação do dia de Pentecostes no areópago de Atenas? Provavelmente, os atenienses o desprezariam, pois não entenderiam o discurso. Não faria qualquer sentido para eles citações do profeta Joel ou do rei Davi, pois tais personagens lhes eram absoltamente desconhecidos. E falar em um Cristo, figura que não pertencia à tradição ateniense, teria como resultado incompreensão ou indiferença. Por outro lado, um Paulo falando em “Deus desconhecido” diante de judeus na festa de Pentecostes provavelmente seria apedrejado. Os ouvintes ficariam indignados por ver conceitos pagãos sendo empregados em referência aos ensinos dos personagens do passado hebreu registrados nas Escrituras do Antigo Testamento.
Hoje, muitos cristãos e igrejas vivem inseridos na cultura da sinagoga. Observam formatos litúrgicos que foram desenvolvidos ao longo dos anos a fim de que todos os iniciados na fé sintam-se confortáveis. Na verdade, são conceitos e palavras perfeitamente compreensíveis àqueles que já participam do ambiente há muitos anos; tudo é feito tendo em vista este público interno, os iniciados que conhecem os símbolos suficientemente.
O grande problema é que vivemos no areópago. Assim, a Igreja que entende que a essência de sua missão é a comunicação do Evangelho aos que a cercam precisará aceitar o desafio de pregar perante o areópago. Isso, certamente, gerará certo desconforto aos iniciados, pois demandará mudanças, maior conhecimento e sensibilidade para com a cultura daqueles que queremos alcançar – e poderá, até mesmo, levar alguns pregadores a trocar os púlpitos por banquinhos, usar um MacBook ao lado da Bíblia e citar Luis Fernando Veríssimo e Chico Buarque de Holanda a fim de ajudar seus ouvintes a entender mais facilmente a mensagem da salvação.






Uma pitada de imaginação



" Hoje foi mais um daqueles dias em que acordei, e a vontade de ir trabalhar era a mínima possível. Minha garganta inflamada me deixou profundamente irritado e com o nível de mau humor bem elevado. Porém, é mais um dia de vida. Levantei, tomei café, me arrumei e parti para a dura rotina de mesmice e futilidade.
Como de costume liguei o radio e fui conversando com Deus, ao som de quem considero um dos melhores musicos do pós modernismo, embalei numa melodia suave e empolgante. Tudo acontecia conforme planejado, a pista era a mesma de sempre, os carros velozes e as pessoas apressadas. Cigarro, café e buzina se tornou peças importantes de um quebra-cabeça diário, sem elas impossível viverem e resolver seus problemas.
Num súbito e pequeno momento de loucura sai do mundo real e parti como estrangeiro numa viagem dentro de um mundo psicodélico.
O sol radiante iluminava-me durante a caminhada, o vento me carregava em seu colo macio e as arvores dançavam para um sorriso no meu rosto colocar. Fiquei impressionado quando junto ao vento, uma pena branca dançava sorrindo pra mim, nunca vi nada igual! Aquela pena, embalada pelo ritmo dançante que o maestro vento regia me encantou. Admirado por toda aquela criatividade natural, fui surpreendido quando elas vieram aos pares, e dançavam como ninguém tinha dançado antes, elas inovaram, criaram, foram contra os padrões estipulados. Tudo se completava, era maravilhoso. O vôo perfeito de uma ave entre as arvores, o balanço e a melodia dos pequenos pássaros a voar, o animal que em seu habitat comia tranquilamente, e eu, um invasor daquele mundo de raras belezas. Agraciado pela simplicidade de seus anfitriões pude me sentir um nativo daquilo tudo.
Essa experiência informal foi interrompida quando criaturas  horrendas invadiram aquele mundo. Criaturas estranhas, mas familiares, e quando de repente uma delas se virou e me fitou com um olhar reprovador, pude então reconhecer que eram a Razão e a Lógica. Desesperadas para me tirar daquele mundo, elas destruíam tudo o que as ameaçavam, com o próprio ego ferido a raiva delas aumentavam, e não conseguiam entender como foram deixadas de lado. Aos poucos aquele mundo foi se rasgando como um papel de parede, e a realidade foi tomando forma novamente. O sol estava ofuscado, o vento perdeu o ritmo e a melodia desaparecera, as arvores já não dançavam mais, e as penas brancas eram de um caminhão que transportava aves para o matadouro. O choque da realidade com a imaginação me deixaram abalado durante o dia todo, e uma indagação: Será que era mesmo um mundo de imaginação? "


Hoje esse foi meu desafio, deixar de lado a razão e a lógica. Experimentar algo novo, deixar o poder da mente me levar por uma viagem marcante. Vejo isso como uma das maneiras de Deus falar: "Está tudo bem filho, eu estou com você. Olhe ao seu redor, TUDO coopera para o bem daqueles que me amam."
Reconheço que a minha mente humana é totalmente incapaz de fazer isso, ela é fútil e limitada dentro de um mundo bidimensional, onde um Deus, que é tridimensional, se revela de uma maneira simples, para podermos entender. Talvez um dia a imaginação se torne algo relevante na sociedade, e sonhar se torne um pré requisito para ser humano.





.Helder Neves Chil

Compaixão




"Para mim, Deus e compaixão são uma coisa só. Compaixão é a alegria de compartilhar. É fazer pequenas coisas pelo amor ao próximo - apenas um sorriso, ou carregar um balde de água, ou demonstrar carinho. Essas são pequenas coisas que formam a compaixão.
Compaixão quer dizer dividir e entender o sofrimento das pessoas... É apenas orgulho, egoísmo e frieza que nos maném longe de campaixão. Quando nós formos pra Casa, e finalmente nos encontrarmos com Deus, nós seremos julgados no que fizemos uns para os outros, o que fomo uns para os outros, e, especialmente, quanto amor pusemos nisso não é o quanto a gente dá, mas quanto amor a gente põe no ato de dar - isso é compaixão em ação. A religião não tem nada a ver com compaixão. É o nosso amor por Deus que é o principal... Tudo o que Deus realmente quer é que O amemos. E o jeito que podemos mostrar o nosso amor por Ele é servindo os outros."




Madre Teresa de Caucutá 





Deus x Fraqueza




" Eu orava todos os dias para que Deus me tirasse a sede pela bebida, e todos os dias ao acordar a primeira coisa em que eu pensava era o uísque Jack Daniel's. Então um dia descobri que minha vontade de beber era exatamente a razão de eu orar todos os dias. Minha fraqueza me leva a Deus"



Para que serve Deus - Philip Yancey





uma fé mesquinha









" O legalismo rebaixa os padrões de Deus, em vez de elevá-los. Amar o próximo como a si mesmo, cuidar dos pobres, fazer justiça, perdoar os inimigos - nada disso se reduz a um conjunto de regras. De fato, qualquer lista de regras rigorosas delimita a amplitude do que Deus quer que se faça no mundo, afastando a ênfase da distribuição da graça de Deus em prol dos pecadores e aproximando-a de uma competição sem sentido entre pseudossantos. Isso torna a fé mesquinha e irrelevante, não algo de importância permanente. "                                                  


 Para que serve Deus - Philip Yancey